04/12 – 20h13
A Lua Cheia sempre chega sem pedir licença. É como uma tempestade curiosa que entra
pela janela entreaberta, dança pelas paredes, cutuca memórias esquecidas e acende
pensamentos que já estavam quase apagados. Ela não pergunta se é um bom momento;
simplesmente aparece. Clara sabia disso… ou melhor, sempre sentiu. Depois de um
longo período de introspecção, daqueles em que a alma se recolhe para reorganizar
emoções, curar antigas feridas e recuperar o próprio brilho, ela foi surpreendida por essa
luz inquieta e brilhante que só o signo de Gêmeos sabe oferecer.
A Lua, tantas vezes incompreendida por muitos, mas profundamente compreendida por
Clara, pousou sobre ela como uma antiga amiga: curiosa, inquieta, questionadora, cheia
de possibilidades que coloriam o ar. E, numa espécie de simbiose silenciosa, despertou
nela tudo aquilo que estava esquecido. As cores. A leveza. A criatividade pulsante que
mais parece um relâmpago dentro do corpo. A energia que revive quando a mente se
abre e o coração, finalmente, acompanha.
Sob a influência dessa Lua Cheia em Gêmeos: expansiva, mental, conectada ao
movimento, Clara relembrou que não era feita de dúvidas e hesitações como sentia vez
ou outra diante de energias externas. Ela era feita de multiplicidade. De reinvenção. De
caminhos paralelos que podem coexistir. De palavras não ditas que agora queriam correr
e gritar em todas as direções. A lua lhe mostrou que sua sensibilidade não era peso e
sim antena. Que sua imaginação não era fuga, era simplesmente uma ponte de luz.
E, ao iluminar seus pensamentos com essa luz vibrante, a Lua revelou algo simples, mas
transformador: quando entendemos o que ela acende dentro de nós, somos capazes de
mudar não só o que vemos, mas a maneira profunda como nos vemos. E, quando a
visão interna muda, tudo ao redor inevitavelmente se transforma com mais fluidez, mais
coragem e mais verdade.
Porque a Lua não pede permissão.
Ela chega para revelar.
Para despertar.
Para lembrar.
E quem se permite escutá-la… renasce.
De novo. E de novo. Quantas vezes for necessário.
Lara Brêtas
03/12/2025
Lisboa, Portugal



