🇧🇷 05/11/2025 10h19
🇦🇺 06/11/2025 00:19am
🇵🇹 05/11/2025 13h19
Essa foi mais uma noite em que Clara sentiu o ar diferente. A Lua Cheia em Touro surgia no
céu como um grande olho ancestral, atento, paciente, guardião de um conhecimento antigo.
Sua luz era tão forte que parecia tocar sua pele.
Clara caminhou até sua varanda, onde acendeu uma vela simples, apenas para marcar o
momento. Sabia que não precisava de grandes rituais para ouvir a Lua, bastava presença.
Quando ergueu os olhos, a Lua parecia sussurrar perguntas intrigantes
“Onde você deseja repousar seu coração? Onde precisa de terra firme?”
A pergunta caiu dentro dela como uma pedra sagrada, abrindo novos círculos de consciência.
Clara percebeu que sua busca por estabilidade não era sobre controle — era sobre nutrição.
Era sobre criar um chão interno onde pudesse caminhar sem medo.
A energia taurina envolvia a noite com um perfume de terra molhada, de lenha queimando e
uma brisa fria, porém acolhedora. E Clara então pensou: Touro não apressa nada. Mas tudo o
que toca, ele sustenta.
Com a mão sobre o peito, Clara deixou as próximas perguntas emergirem sentindo seu corpo
ser guiado pela regência da Lua:
“O que, na prática, eu ofereço ao que desejo?”
Ela viu imagens: pequenas escolhas diárias, gestos que não fazia, sonhos esperando
movimento. Desejos pedindo a presença do seu corpo, pedindo constância.
“Onde minha intenção se une à minha ação?”
Ali, a resposta veio como um sopro morno:
A magia acontece quando aquilo que se quer e aquilo que se faz começam a caminhar com
fluidez na mesma direção.
Clara sentiu que tudo tinha um ritmo. Que a estabilidade que buscava estava à espera de sua
presença plena — não perfeita, apenas inteira.
E foi assim que ela sussurrou seu desejo ao vento:
“Quero ser terra para mim mesma, construir com paciência e honrar minhas escolhas”
E naquele instante, não houve nenhuma revelação grandiosa. Houve algo muito maior: um
silêncio gentil, uma certeza suave, uma força tranquila.
E Clara, envolta em sua própria luz, compreendeu que o caminho não começa quando o futuro
chega — mas quando o primeiro passo encontrar o chão.
Lara Bretas – Lisboa, 03/11/2025



